Em 2018 tive a oportunidade de fazer uma viagem à Chernobyl. As minhas impressões foram registradas em um artigo publicado na Revista VER (link abaixo). Desde então, nada me faz tirar o foco do que se passa por lá.

O incêndio, que teve início no dia 4 de abril 2020, ameaça protagonizar mais um episódio sem precedentes na região de Chernobyl foi iniciado por ação de um homem que colocou fogo na grama seca perto da zona de exclusão. O fogo já está a 2km da área onde estão armazenados os resíduos mais perigosos da usina. Hoje, 17 de abril de 2010, as mídias dizem que o fogo está controlado, porém a reportagem (G1.com)ressalta contradições de informações, o que fragiliza a credibilidade e com certeza gera mais instabilidade e insegurança para a população.

Estamos inseridos em um momento único da história mundial, em que todos fomos obrigados a nos isolar uns dos outros para proteger a nossa sociedade do COVID19. Essa ação de isolamento proporciona em muitos um momento de introspecção, de olhar para dentro e entender melhor como viver o dia-a-dia com mais verdade e mais em sintonia com o todo.

O isolamento nos faz repensar as nossas casas, como são construídas e o propósito pelo qual são construídas. De agora em diante debates surgirão sobre a viabilidade do home office, da importância da revisão dos planos de transportes públicos, da relevância da construção de casas/apartamentos que são feitos para se morar e não somente para se dormir.

As reflexões que esse momento nos traz em relação ao espaço em que vivemos deve se estender ao nível global. Afinal, do que importa ter uma casa confortável aonde se morar se o planeta em que se vive está sendo tratado com descaso? Do que adianta ter um jardim enorme se o solo desse jardim não ter fertilidade?
A nossa casa, não são essas quatro paredes em que moramos. A nossa casa não possuí limites visíveis. Ela se estende quilômetros e quilômetros, atravessa oceanos, planícies e desertos. A partir do momento que todos entenderem que a nossa casa é a multiplicidade de cores que encontramos na natureza ao nosso redor, ficará mais fácil de viver por esse período de transição de um mundo focado na dominação, competitividade e controle, para um mundo harmônico focado no colaborativismo.

Em tempos em que nos voltamos para dentro de nossas casas e para dentro de nós mesmos, tentemos não fechar os olhos para os descasos que fazemos com a nossa Grande Casa. Depende apenas de nós administrarmos melhor a nossa condição de seres humanos e ignorando o que acontece ao nosso redor não vai ajudar.

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