E o mundo parou! Ficamos todos em nossas casas que se transformaram em trincheiras para nos protegermos do inimigo invisível COVID-19. Seria assim se não existisse milhões de pessoas que estão sem suas trincheiras,entregues à própria sorte e outras tantas pessoas que por vários motivos, inclusive o livre arbítrio, não estão em casa.

As populações de rua que fazem da rua suas trincheiras, por total falta de opção, que passavam por despercebido aos olhos da sociedade, se tornaram uma ameaça e por isso de alguma forma ganharam visibilidade em função da forma como o COVID-19 se propaga. “ O vírus sobrevive ao encontrar um “hospedeiro” e usa as suas células vivas para se replicar. Quando um vírus invade um hospedeiro, entra nas células e “sequestra” os sistemas naturais de produção de células para fazer novas cópias de si próprio – ou seja, replica-se.”

O COVID-19, nos coloca frente a frente com nosso comportamento, nossa prepotência de acharmos que somos mais importantes do que os outros seres vivos que compõem o milagre da vida. Estamos tendo a oportunidade de identificar que o antropocentrismo é coisa do passado, não cabe mais no século XXI.
O Papa Francisco em sua Encíclica Laudato Si’, sobre o cuidado com a casa comum (TERRA), sabiamente coloca que “ A humanidade do período pós-industrial talvez fique recordada como uma das mais irresponsáveis da história, espera-se que a humanidade dos inícios do Século XXI possa ser lembrada por ter assumido com generosidade as suas graves responsabilidades.”

Fazendo uma analogia simples na relação entre a sustentabilidade e COVID-19, podemos refletir sobre os três pilares da sustentabilidade (Ambiental, Social e Econômico) que devem ser observados e praticados em todas as atividades produtivas e o registro dos primeiros casos de COVID-19 confirmados que ocorreram na cidade de Wuhan na China. Os casos registrados tinham ligações com o Mercado Atacadista de Frutos do Mar de Huanan, que segundo informações veiculadas pelo jornal New York Times e Qi News , as condições de saneamento do Mercado, deixam a desejar. Relataram condições insalubres, em função da configuração do mercado com corredores muito estreitos e muita proximidade entre as barracas, bem como, a estrutura de saneamento que segundo as informações, os animais vivos ficam junto aos animais mortos, os lixos ficam empilhados em pisos úmidos e sem ventilação adequada.

A relação me parece clara! Qualquer atividade para ser desenvolvida de forma sustentável, necessariamente precisa considerar os aspectos ambientais envolvidos na atividade e que no caso em questão, nos leva a refletir muito sobre a nossa relação no consumo de animais. Considerando também os aspectos sociais que envolvem as condições oferecidas para que o trabalhador desenvolva sua atividade, considerando a sua segurança pessoal e sua saúde e considerando o produto que será entregue e/ou disponibilizado para a sociedade. Também é fundamental considerar os aspectos econômicos e financeiros da atividade que deve ocorrer sem ônus (ambiental e/ou social) para a sociedade. A inobservância dos aspectos que garantem a sustentabilidade de uma atividade produtiva, podem ter custo bem alto para todos, ultrapassando as fronteiras físicas determinadas pela humanidade, que não se sustentam quando o assunto é Meio Ambiente.

As ocorrências ambientais não possuem fronteiras. Talvez a única diferença ocorra na hierarquia dos efeitos, que atingem primeiro os países pobres, já que não possuem estrutura para lidar com os desafios e por último os países mais abastados, por serem detentores de tecnologias e estrutura para se defenderem dos desafios.
Estamos, portanto, diante da nossa vulnerabilidade enquanto civilização. Podemos fazer escolhas que reflitam o nosso entendimento sobre a oportunidade dentro da crise, ou podemos esperar passar e retomar do ponto em que paramos sem assimilar lições aprendidas.

Que tal refletirmos sobre nossas possíveis escolhas? Podemos fazer em prol da nossa permanência na TERRA ou não. Podemos escolher:

• Enxergar os invisíveis, as populações de rua, os refugiados de guerra, os refugiados ambientais, buscando uma economia mais igualitária em que os direitos mínimos de cada ser humano sejam respeitados;

• Consumo mais consciente e sustentável, refletindo sobre enxurrada de produtos despejados diariamente no mercado, por vezes com custos baixíssimos que certamente o são em função do não compromisso com a sustentabilidade em seu processo produtivo;

• Os países ricos devem assumir sua responsabilidade em apoiar o desenvolvimento sustentável dos países em desenvolvimento e principalmente aqueles que são muito pobres;

• Novos perfis para nossos líderes, novas posturas políticas mais agregadoras e voltadas para o coletivo;

• A humildade do nosso papel perante o Universo, buscando através do respeito um caminho para o AMOR que pode nos salvar!

Assim, poderemos pleitear status de civilização SUSTENTÁVEL!

Como começou o Corona Virus

Mercado Atacadista

New York Times
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