Toda crise traz oportunidades porque descortinam fragilidades.

 

Nosso momento de pandemia, nos traz várias reflexões super, importantes. Por convicção e por ter desenvolvido minha tese sobre Sustentabilidade nas Instituições de Ensino Superior (IES), trago alguns questionamentos que possam minimizar nossa fragilidade.

 

Este início de século vem sendo marcado por crises sucessivas, algumas ignoradas e outras experimentadas com dificuldade. As crises experimentadas são sempre relativas à economia, pois a economia é, sem dúvida, o motor do mundo.

 

As crises anunciadas sobre aquecimento global, escassez de recursos naturais, pandemias por vírus e/ou bactérias, todas relativas á sustentabilidade, não foram e não tem sido considerada como ponto fundamental na busca por soluções que possam amenizar o processo.

 

É como se todas as notícias trazidas pelos cientistas, não fizessem diferença alguma. O universo que considera as informações científicas, me parece restrita ao seleto nicho de acadêmicos, por vezes, nem eles.

 

O que será que faz com que os resultados de pesquisas científicas, que são bem desenvolvidas, que levam por vezes anos para uma conclusão, não são consideradas no planejamento da gestão de um país, das organizações e da sociedade? Qual a dificuldade em considerar como estratégia de sucesso a sustentabilidade, sob a ótica da ciência?

 

 

No momento fomos acometidos com uma grata surpresa, BINGO! As informações divulgadas nos últimos 15 anos sobre a possibilidade de uma pandemia, se concretizou. Para alguns pode soar como Bruxaria? Acho que não, o nome é CIÊNCIA! Ninguém se preparou e assim o vírus parou a engrenagem, retirou de cena várias peças importantes, não levou em conta nenhuma diferença entre os processos e parou tudo!

 

 

Grande oportunidade para que a academia, as organizações, os governos, reflitam sobre o papel de cada um dentro do contexto. O preço da omissão e da displicência, tá valendo?

 

 

Os governos devem se estruturar e definir seu planejamento a partir de informações consistentes buscando na Academia informações que os subsidiem na tomada de decisão, pois como diria minha mãe, “ o exemplo vem de cima”.
Em pleno século XXI, vários paradigmas permanecem inalterados. As Instituições de Ensino Superior (IES)na sua maioria, por exemplo, insistem em manter seus formatos com base na educação do século passado. Enquanto experimentamos a Quarta Revolução Industrial, a Educação de forma geral e as IES se enquadram, estão preparando pessoas com base na Segunda Revolução Industrial, quando muito, algumas IES mais antenadas e flexíveis, atendem ao propósito relativo à Terceira e até Quarta Revolução Industrial, mas são minoria.

 

 

Acredito muito que a educação é a chave para a mudança que necessitamos, uma vez que além de tudo, é a falta dela que determina a maior fonte de desigualdade no mundo. Todas as situações mais absurdas como a fome, guerras, imigrações e migrações por consequências de alterações climáticas, entre outros, são oriundas da ignorância.

 

 

Platão, sabiamente já dizia na Idade antiga 427 a.C que “A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento”.

 

O curso que vem sendo dado para a nossa casa comum TERRA, é uma responsabilidade de todos e está diretamente relacionada com o conhecimento que detemos, o uso que fazemos e o aprimoramento que buscamos.

 

As IES ocupam posição de destaque como agentes estratégicos nesse processo . A responsabilidade delas é muito grande na busca pela transformação necessária.
As IES e os Ministérios de Educação (ou outra autoridade no assunto), no mundo, precisam assumir a necessidade de estabelecer melhor comunicação entre a academia e o mercado de trabalho, no que diz respeito aos conteúdos que são demandados pelo mercado e os que são oferecidos pelas IES aos seus alunos.

 

“Para que o mundo siga na direção do desenvolvimento sustentável, é preciso a inserção de todos em uma “Sociedade do Conhecimento” (Bernheim & Chauí, 2008). A responsabilidade de cada pessoa nas suas escolhas, é diretamente proporcional ao seu conhecimento. A Educação, ferramenta essencial na direção do conhecimento, pode quebrar paradigmas quanto ao comportamento e escolhas das pessoas, principalmente no que diz respeito ao tema Sustentabilidade”. (http://hdl.handle.net/10071/19704 )Devemos ter em conta que na Sociedade do Conhecimento não deve existir ex aluno, devemos aprender continuamente.

 

Como resultado da minha pesquisa acadêmica, a figura abaixo demonstra “ A Universidade numa Sociedade rumo ao desenvolvimento Sustentável”. (http://hdl.handle.net/10071/19704)

 

segunda tentativa sustentabilidade x educação

 

 

O Ensino nas Universidades, deve entregar profissionais graduados com consciência crítica e melhores PARA o mundo, preparados para os desafios do nosso século.
A ciência a partir da Investigação, deve estar conectada com as demandas da sociedade, buscando solucionar problemas que à aflige e que por vezes levantados pela própria ciência. Provavelmente, com essa conduta, a academia possa falar a língua da sociedade e ser melhor reconhecida por seu brilhante trabalho.
As IES devem proporcionar aos seus alunos a experiência de poder utilizar o Campus Universitário como laboratório aberto para pesquisas que possam ser compartilhadas com a sociedade.
A crise que enfrentamos, deve nos conduzir a uma reformulação estrutural no atual formato de EDUCAÇÃO, tanto no conteúdo, como na forma de realizar e oferecer as aulas assumindo diferentes formatos, considerando a possibilidade do on line que vem sendo experimentado e com sucesso.
Em tempos de pandemia, de constatação do nosso despreparo para lidar com os desafios e principalmente a nossa arrogância e persistência no comportamento como seres soberanos no Universo, considero muito importante o tema da minha tese sobre a necessidade da inserção da Sustentabilidade nos Currículos de forma transversal, possibilitando que as IES assumam seu importantíssimo papel na recondução da gestão da nossa casa comum TERRA!
Afinal, sabemos que a terra continua e quem sai de circulação somos nós!
Lição aprendida?
Esperamos que sim.